Não seja Remisso com a Promessa parte 2
"Então Josué disse aos filhos de Israel: Até quando
sereis remissos em vir possuir a terra que o Senhor, o Deus de vossos pais, vos
deu?" Josué 18:3
(Em algumas versões, como a NVI, a palavra usada é
"indolentes": "Até quando vocês vão tardar a tomar posse da
terra que o Senhor, o Deus dos seus antepassados, lhes deu?")
Josué os cobrou porque, embora grande parte da terra de
Canaã já tivesse sido conquistada militarmente, sete das doze tribos de Israel
ainda não haviam se organizado para tomar posse e ocupar efetivamente os seus
territórios designados.
As razões para a repreensão de Josué foram:
Falta de iniciativa: O povo estava acomodado e
hesitante em expulsar os cananeus remanescentes de suas terras, mesmo após Deus
ter garantido a vitória e a posse da terra prometida.
Desobediência à ordem divina: Deus havia ordenado
repetidamente, através de Moisés e depois de Josué, que eles tomassem posse de
toda a terra.
Ociosidade: Eles estavam "remanescentes" ou
"indolentes", ou seja, lentos e negligentes em cumprir a tarefa que
lhes cabia, que era a de ocupar e usufruir da herança que Deus lhes havia dado
por direito.
Confiança nas promessas de Deus: Josué queria que o
povo agisse com fé, confiando que Deus lhes daria a vitória na ocupação final
dos territórios, assim como havia feito nas batalhas anteriores, como em Jericó
e Ai.
Após essa cobrança, Josué orientou as tribos a escolherem
três homens de cada uma delas para mapear o restante da terra e, em seguida,
ele a repartiu por sorteio diante do Senhor, em Siló, garantindo que cada tribo
recebesse sua herança.
Precisamos aplicar estes ensinamentos em nossas vida!
1. Na Vida Espiritual e de Fé
A principal aplicação é sobre a proatividade na fé.
Deus nos oferece "terras" ou promessas (salvação, paz, propósito,
cura, etc.), mas espera que tomemos posse delas ativamente.
Tomar Posse das Promessas de Deus: Muitas vezes,
conhecemos as promessas de Deus na Bíblia, mas somos "indolentes" em
buscá-las ou vivê-las. Aplica-se à necessidade de aprofundar nosso
relacionamento com Deus, buscar o perdão ou viver a plenitude do Espírito
Santo, em vez de nos contentarmos com uma fé superficial.
Vencer a Acomodação Espiritual: A indolência
espiritual é perigosa. A aplicação nos desafia a sair da zona de conforto na
nossa vida de oração, leitura bíblica e serviço, e a buscar um crescimento
contínuo.
Assumir a Identidade em Cristo: Deus nos deu uma nova
identidade como filhos e herdeiros. A aplicação nos ensina a não sermos
"remissos" em viver de acordo com essa identidade, abandonando velhos
hábitos e mentalidades.
2. Na Vida Pessoal e Profissional
A mensagem de Josué também se aplica à nossa
responsabilidade de agir e buscar o nosso potencial e propósito de vida.
Procrastinação e Iniciativa: A "indolência"
ou "remissão" pode ser traduzida como procrastinação. Somos cobrados
a tomar a iniciativa para perseguir nossos objetivos, estudar, procurar emprego
ou resolver problemas que estão pendentes.
Aproveitar Oportunidades: Deus nos dá talentos e
oportunidades ("a terra que o Senhor vos deu"). A aplicação nos
lembra de não desperdiçar essas chances por medo, preguiça ou falta de visão,
mas sim de agir com diligência.
Planejamento e Execução: O povo de Israel precisava
mapear a terra e agir. Isso nos ensina a importância do planejamento
estratégico (mapear a terra) e da execução (ir e possuí-la) em projetos
pessoais e profissionais.
3. Na Vida Comunitária e Social
Podemos aplicar este ensinamento ao nosso papel como membros
de uma comunidade ou igreja:
Engajamento na Missão: A igreja tem uma missão (o
"ide"). A aplicação nos desafia a não sermos remissos na
evangelização, no serviço ao próximo e na promoção da justiça social,
utilizando os dons que Deus nos deu para impactar o mundo ao nosso redor.
Responsabilidade Coletiva: A cobrança foi feita a
todo o povo. Isso nos lembra que a inércia de um pode afetar o coletivo, e
todos temos responsabilidade no avanço do "reino" em nossas
comunidades.
Em resumo, o ensinamento central é um chamado à ação,
diligência e fé proativa. Deus já nos deu a provisão e a autoridade; cabe a nós
levantar, mapear e tomar posse da herança que nos foi destinada.
O "modus operandi" (modo de operação) de Josué
para resolver a situação da indolência do povo foi uma combinação de liderança
inspiradora, organização estratégica e dependência da orientação divina.
Ele não usou força militar contra o próprio povo, mas sim um
método estruturado para garantir que cada tribo assumisse a responsabilidade
por sua herança.
As etapas do seu plano foram:
Repreensão e Motivação (Liderança): Primeiro, Josué
confrontou o povo com a realidade de sua negligência. Ele usou a pergunta
direta: "Até quando sereis remissos em vir possuir a terra que o Senhor, o
Deus de vossos pais, vos deu?". Isso serviu para despertar a consciência e
a responsabilidade das sete tribos que ainda estavam passivas.
Delegação e Mapeamento (Organização): Em seguida, ele
estabeleceu um plano de ação claro e prático. Ordenou que cada uma das sete
tribos escolhesse três homens, totalizando 21 representantes. A tarefa deles
era percorrer a terra remanescente, examiná-la, descrevê-la detalhadamente e
dividi-la em sete partes em um "livro" ou mapa.
Execução do Plano (Ação): Os homens foram e
executaram a ordem de Josué, retornando com o levantamento da terra.
Orientação Divina e Sorteio (Dependência de Deus):
Finalmente, Josué reuniu o povo em Siló, onde estava o Tabernáculo (a Tenda do
Encontro), simbolizando a presença de Deus. Ali, ele lançou sortes perante o
Senhor para determinar qual porção de terra caberia a cada uma das sete tribos
remanescentes. O sorteio era um método divinamente aceito para garantir que a
distribuição fosse imparcial e refletisse a vontade de Deus (Provérbios 16:33).
Em resumo, Josué combinou a liderança humana (cobrança,
organização, planejamento) com a fé na providência de Deus (o sorteio),
incentivando o povo a agir de forma proativa para tomar posse do que já era
deles por direito divino.